Você fala "world" e sai algo parecido com "vorld". Fala "we" e sai "vi". Ou faz o contrário: quer dizer "very" e sai "uéri". O nativo entende pelo contexto, mas a troca entre o "w" e o "v" é uma das marcas mais fortes do sotaque brasileiro, e ela aparece em palavras que a gente usa o tempo todo: work, would, want, water, week.
Olha, o "w" em inglês tem um som só, e ele é mais fácil do que parece: é o "u" do português, rápido e com os lábios arredondados. O problema é que o brasileiro aprendeu a letra "w" como se fosse "v", por influência do alemão e de nomes como "Wagner". Neste post você vai aprender a posição certa da boca, as palavras que mais dão trabalho e o treino para o som virar automático. Bora lá?
O som do W é o nosso "u"
Esquece a letra e pensa no som. O "w" do inglês é o mesmo som do "u" em "quase", "água", "mau". Um "u" curto, que escorrega para a vogal seguinte. Os lábios ficam arredondados, como se você fosse assobiar, e os dentes não encostam em nada.
"We want water." Queremos água.
Fala "u-i", "u-ânt", "u-óter", rápido. Repara que a boca começa em bico e abre. Esse é o movimento inteiro. Não tem dente no lábio, não tem vibração, não tem "v".
Dica: coloca a mão na frente da boca e fala "we". Se sentir os dentes de cima tocando o lábio de baixo, está saindo "v". Afasta os dentes, faz o bico e tenta de novo.
A diferença entre W e V
Aqui está o contraste que resolve o problema. O "v" é dente de cima no lábio de baixo, com o ar passando e vibrando. O "w" é os dois lábios arredondados, sem dente nenhum. São posições totalmente diferentes.
"The vest is in the west." O colete está no oeste.
"I love wine, but I don't like vinegar." Adoro vinho, mas não gosto de vinagre.
"She's very wise." Ela é muito sábia.
Repara em "very wise": o "v" de "very" pede dente no lábio; o "w" de "wise" pede bico. Fala as duas palavras seguidas, devagar, sentindo a boca mudar de posição. Esse exercício de dez segundos vale mais do que qualquer explicação.
Tenho alunas que faziam o "w" certo em "water" e trocavam em "would", porque "would" parece mais difícil. Não é. É o mesmo som.
As palavras que mais dão trabalho
Algumas palavras com "w" são traiçoeiras porque vêm com outros sons difíceis logo em seguida. Vamos às três do título.
World: o "w" abre em "â", depois vem o "r" americano suave e o "l" com a ponta da língua. Fica "UÂRLD", numa sílaba só. O brasileiro tende a falar "uôrld", com o "o" aberto; o som é mais fechado, quase engolido.
"It's a small world." O mundo é pequeno.
Work: mesmo começo, "UÂRK". O "or" não é "ór" como em "porta"; é um "âr" fechado. "Work" e "walk" são diferentes: "work" é fechado ("uârk"), "walk" é aberto ("uók").
"I work from home on Fridays." Trabalho de casa às sextas.
Would: o "l" é mudo. Fica "UÚD", com o "u" curto de "book". Rima com "good" e "could".
"Would you like some coffee?" Você gostaria de um café?
Dica: "would", "could" e "should" têm o mesmo "l" mudo. Se você fala "good" certo, fala os três certos: é só trocar a primeira letra.
Sotaque não é defeito. Mas quando um som troca o sentido da palavra, vale dez minutos de espelho para ajustar.
Quando o W não tem som
Existe um grupo de palavras em que o "w" está escrito, mas não se pronuncia. Sem saber, você força um som que não existe.
Antes de "r", o "w" é mudo: "write", "wrong", "wrist", "wrap". Fala "ráit", "rong", "rist", "rép".
"I wrote the wrong address." Escrevi o endereço errado.
Em algumas palavras isoladas, também some: "answer" ("ÉN-ser"), "sword" ("SÓRD"), "two" ("TU"), "who" ("HU"), "whole" ("HÔUL").
"Who ate the whole cake?" Quem comeu o bolo inteiro?
Repara que "who" e "whole" começam com som de "h", não de "w". É uma exceção pequena, mas aparece muito.
Wh: o mesmo som do W
As palavras com "wh" (what, where, when, why, which, white) se pronunciam com o som normal do "w" no inglês americano de hoje. Não precisa soprar um "h" antes. "What" é "uât", "where" é "uér", "why" é "uái".
"What, where, and when?" O quê, onde e quando?
"Which one is white?" Qual é o branco?
A única exceção é o "who" e a família dele ("whose", "whom", "whole"), que viram som de "h", como você viu acima.
O treino de cinco minutos
Pronúncia é músculo, e músculo se treina com repetição curta e diária. Um roteiro que funciona:
Primeiro, um minuto só de "u-u-u" com bico, escorregando para vogais: "ui", "ua", "uo", "ue". Depois, um minuto alternando "v" e "w" em pares: "vest / west", "vine / wine", "vet / wet". Depois, dois minutos com as palavras do dia a dia em frase curta: "we work", "I would", "the world", "what we want". E o último minuto gravando e ouvindo.
"We would love to see the world." Adoraríamos conhecer o mundo.
"What would you do?" O que você faria?
Dica: grava você falando "we, would, work, world, water" hoje e guarda. Repete daqui a duas semanas e compara. A diferença costuma surpreender.
O padrão por trás de tudo
Repara que o assunto inteiro se resume a uma posição de boca: bico arredondado, sem dente no lábio, o som do nosso "u". O "v" é dente no lábio; o "w" nunca é. As exceções são poucas: "w" antes de "r" é mudo, e "who" tem som de "h".
Hoje, fala "we want water" dez vezes em frente ao espelho, olhando os lábios. Amanhã, "we would work". É rápido, é bobo e funciona. A boca aprende o que você repete, e o "w" certo já está no seu português.



