Você quer dizer "está chovendo" e fala "is raining". Quer dizer "tem um problema" e sai "have a problem". Quer dizer "sou professora" e escreve "am a teacher". Em português tudo isso está certo, porque o verbo já carrega quem está fazendo a ação. Em inglês, cada uma dessas frases está com um buraco na frente.
Olha, essa é uma das diferenças mais básicas entre as duas línguas, e uma das que mais escapam mesmo de quem já está intermediária. O inglês não deixa o sujeito escondido. Toda frase precisa de alguém na frente do verbo, mesmo quando esse alguém não significa nada. Neste post você vai entender por que isso acontece, quais são os sujeitos "vazios" que o inglês usa para preencher e como corrigir esse hábito de vez. Bora lá?
O português esconde, o inglês mostra
Em português, o verbo muda para cada pessoa: "eu falo", "você fala", "nós falamos". Como a terminação já diz quem é, a gente pode tirar o pronome: "falo inglês" está perfeito.
Em inglês, o verbo quase não muda. "Speak" é igual para I, you, we e they. Se você tirar o pronome, ninguém sabe quem fala. Por isso ele é obrigatório.
"I speak English." Falo inglês.
"We live in a small town." Moramos numa cidade pequena.
"They work at the hospital." Trabalham no hospital.
Repara que em português os três exemplos ficam naturais sem o pronome. Em inglês, nenhum deles funciona sem. "Speak English" vira uma ordem. "Live in a small town" fica incompleto.
Dica: antes de falar qualquer frase, pergunta "quem?". Se a resposta não estiver dita em inglês, coloca. Esse hábito leva uma semana para fixar.
O "it" de clima, hora e distância
Aqui está o ponto que mais confunde. Em português a gente diz "está chovendo", "são três horas", "é longe". Não tem sujeito nenhum, e a frase está certa. Em inglês, entra um "it" que não significa nada, só ocupa o lugar do sujeito.
"It's raining." Está chovendo.
"It's three o'clock." São três horas.
"It's far from here." É longe daqui.
"It's cold today." Está frio hoje.
"It's Monday." É segunda-feira.
Esse "it" não é "isso". Não aponta para nada. É um sujeito vazio que a gramática inglesa exige. Tenho alunas que entendem a regra e mesmo assim dizem "is raining", porque o português está muito forte. A correção é repetir até o "it" vir sozinho.
O "there is" e "there are": tem, existe
Outro caso em que o português não usa sujeito é o verbo "ter" no sentido de existir: "tem um restaurante na esquina", "tem muitas pessoas aqui". Em inglês, isso não é "have". É "there is" no singular e "there are" no plural.
"There's a restaurant on the corner." Tem um restaurante na esquina.
"There are a lot of people here." Tem muita gente aqui.
"There's a problem with my room." Tem um problema com o meu quarto.
O erro clássico é "have a restaurant on the corner". Quem tem? Ninguém. Então não é "have". Quando o "tem" do português significa "existe", é "there is" ou "there are".
Dica: se o "tem" pode ser trocado por "existe", é "there is". Se pode ser trocado por "possui", é "have" com um dono na frente: "I have", "she has".
O inglês não gosta de buraco. Se a frase não tem quem, ele inventa um. Aprende quem são esses inventados e a frase fecha.
O "it" para opinião e avaliação
O inglês usa o "it" vazio também para começar frases de avaliação, que em português a gente começa direto pelo adjetivo:
"It's important to practice every day." É importante praticar todo dia.
"It's hard to find a good doctor." É difícil achar um bom médico.
"It's nice to meet you." Prazer em te conhecer.
Repara que "is important to practice" está errado. Precisa do "it" na frente. É a mesma regra: o verbo "is" não pode aparecer sozinho no começo da frase.
Quando o sujeito é um verbo
Às vezes o sujeito da frase é uma ação: "viajar é caro", "estudar de manhã funciona melhor". Em inglês, o verbo na posição de sujeito ganha "-ing":
"Traveling is expensive." Viajar é caro.
"Studying in the morning works better for me." Estudar de manhã funciona melhor para mim.
Não é "travel is expensive" nem "to travel is expensive" (essa segunda existe, mas soa formal e antiga). O "-ing" transforma o verbo num substantivo que pode ser sujeito.
Os erros que eu mais vejo, lado a lado
Vale ver o erro e a correção juntos, porque é assim que o ouvido aprende a estranhar:
"Is raining" está errado; o certo é "It's raining".
"Have a problem here" está errado; o certo é "There's a problem here".
"Am tired" está errado; o certo é "I'm tired".
"Is very hot in Brazil" está errado; o certo é "It's very hot in Brazil".
"Is important to study" está errado; o certo é "It's important to study".
Tenho alunas que nunca errariam isso na escrita e erram na fala, porque na fala não dá tempo de pensar. Por isso o treino precisa ser em voz alta.
"It's late, there's no bus, and I'm tired." Está tarde, não tem ônibus e estou cansada.
Dica: essa frase acima tem os três sujeitos que o brasileiro mais esquece: "it" de hora, "there" de existência e "I" de pessoa. Repete ela dez vezes e você treina os três de uma vez.
O padrão por trás de tudo
Repara que a regra inteira é uma só: nenhuma frase em inglês começa pelo verbo, exceto ordens. Se falta quem, entra o pronome; se é clima, hora ou avaliação, entra o "it"; se é "existe", entra o "there is"; se é uma ação, entra o verbo com "-ing".
Hoje, fala dez frases sobre o seu dia em voz alta e confere se cada uma começou com um sujeito. Amanhã, dez sobre o clima e o que existe na sua rua. Quem coloca o sujeito não deixa buraco, e frase sem buraco é frase que o nativo entende de primeira.



