Você quer perguntar "você gosta de café?" e sai "You like coffee?". Quer dizer "ela não trabalha aqui" e sai "She no work here". O outro entende, mas você sente que a frase está torta, e está. O que falta é uma palavrinha que o português não usa e o inglês exige: o verbo auxiliar. Tenho alunas que só destravaram as perguntas depois que entenderam esse mecanismo.
Olha, são só três: do, be e have. Cada um tem um trabalho específico, e quando você sabe qual é, monta pergunta e negativa de qualquer tempo verbal sem pensar. Neste post eu explico o papel de cada um, mostro as respostas curtas e listo os erros que mais corrijo. Bora lá?
O que é um verbo auxiliar
É um verbo que não carrega o sentido da frase. Ele só ajuda: monta a pergunta, faz a negativa, marca o tempo. O sentido fica no verbo principal.
Em "Do you like coffee?", o "do" não significa "fazer". Ele só está ali pra formar a pergunta. Quem tem sentido é "like". No português, a gente não tem isso: pergunta com entonação e nega com "não". No inglês, o auxiliar é obrigatório.
"Do you like spicy food?" Você gosta de comida apimentada?
"I don't understand this word." Não entendo essa palavra.
Dica: se a frase não tem be, have ou um modal (can, will, would), a pergunta e a negativa vão precisar de do. Essa é a regra de ouro.
DO: o auxiliar do presente e do passado simples
Do (e does pra he, she, it) monta perguntas e negativas no presente simples. Did faz o mesmo no passado. E o detalhe que mais gera erro: depois de do, does e did, o verbo principal fica na forma base.
"Does she work on Fridays?" Ela trabalha às sextas?
"She doesn't work on Fridays." Ela não trabalha às sextas.
"Did you sleep well?" Você dormiu bem?
"I didn't see your message." Não vi sua mensagem.
Repara que em "Does she work" o verbo não tem -s, porque o -s já foi pro "does". E em "Did you sleep" o verbo não vai pro passado, porque o passado já está no "did". O auxiliar carrega a marca; o verbo principal fica limpo.
Do também aparece pra dar ênfase numa frase afirmativa:
"I do want to go, I just can't today." Eu quero ir, sim, só não posso hoje.
BE: o auxiliar dos tempos contínuos e da voz passiva
Be (am, is, are, was, were) é o auxiliar de tudo que tem -ing: presente contínuo, passado contínuo. Pra perguntar, ele vai pro começo. Pra negar, ganha um "not".
"I'm waiting for the bus." Estou esperando o ônibus.
"Are they coming to dinner?" Eles vêm jantar?
"She wasn't listening to me." Ela não estava me ouvindo.
Be também é o auxiliar da voz passiva, com o particípio:
"The tickets were sold out in two hours." Os ingressos esgotaram em duas horas.
E quando be é o verbo principal da frase ("I am tired"), ele mesmo faz a pergunta e a negativa, sem precisar de do:
"Are you tired?" Você está cansada?
Dica: nunca tem do e be juntos numa pergunta. "Do you are tired?" não existe. Se tem be, ele resolve sozinho: "Are you tired?".
A pergunta em inglês não é entonação. É estrutura. Quando você domina os três auxiliares, você domina todas as perguntas.
HAVE: o auxiliar dos tempos perfeitos
Have (has pra he, she, it, e had no passado) é o auxiliar do Present Perfect e do Past Perfect. Vem sempre seguido do particípio.
"Have you ever been to Chicago?" Você já foi a Chicago alguma vez?
"She has already left." Ela já saiu.
"We hadn't finished when the lights went out." A gente não tinha terminado quando as luzes apagaram.
Repara: quando have é auxiliar, ele faz a pergunta sozinho ("Have you been"). Mas quando have é o verbo principal, com sentido de "ter", ele precisa de do como qualquer outro verbo:
"Do you have a pen?" Você tem uma caneta?
Esse é um ponto que confunde muita aluna. "Have you a pen?" soa antigo e britânico. Nos Estados Unidos, é "Do you have".
Respostas curtas: o auxiliar responde por você
Em inglês, ninguém responde só "yes" ou "no". A resposta natural repete o auxiliar da pergunta:
"Do you speak Spanish?" "Yes, I do." Você fala espanhol? Falo.
"Is she coming?" "No, she isn't." Ela vem? Não vem.
"Have they arrived?" "Yes, they have." Eles chegaram? Chegaram.
Repara que você nunca repete o verbo principal ("Yes, I speak"). Só o auxiliar. Uma estrutura só, infinitas respostas.
Dica: se você gravar que a resposta curta espelha o auxiliar da pergunta, você nunca mais vai ficar em dúvida sobre como responder.
Os erros que eu mais corrijo
- "Do you can swim?" Can é modal e já faz a pergunta sozinho. O certo é "Can you swim?".
- "She don't like it." Pra he, she, it, o auxiliar é does. O certo é "She doesn't like it".
- "I no understand." Falta o auxiliar. O certo é "I don't understand".
- "Did you went?" O passado já está no did. O certo é "Did you go?".
- "I am agree." Agree é verbo, não adjetivo. Não leva be. O certo é "I agree".
"Can you help me with this?" Você pode me ajudar com isso?
"I agree with you." Concordo com você.
O padrão por trás de tudo
Repara que cada auxiliar tem uma função clara: do pra presente e passado simples, be pra -ing e voz passiva, have pra tempos perfeitos. Pergunta é auxiliar na frente, negativa é auxiliar mais not, resposta curta é o auxiliar sozinho. E depois de do, does e did, o verbo principal fica na forma base.
Pega cinco frases afirmativas que você já sabe e transforma cada uma em pergunta e negativa hoje. Fala em voz alta. Quando o auxiliar entra no automático, a pergunta sai antes de você pensar.



