Você está planejando Buenos Aires, Bariloche, Santiago ou o deserto do Atacama e fica na dúvida: vale a pena treinar inglês para uma viagem à América do Sul? Ou o negócio é apostar no portunhol e torcer? Tenho alunas que me perguntam exatamente isso todo ano, e a resposta honesta é: depende de onde você vai estar dentro do país.
O inglês ajuda muito na Argentina e no Chile, mas em lugares bem específicos. Saber quais são esses lugares muda a sua viagem, porque você para de tentar falar inglês com quem não fala e passa a usar ele onde ele funciona de verdade. Neste post eu te conto onde o inglês resolve, onde o espanhol manda e quais frases levar. Bora lá?
Onde o inglês funciona de verdade
A regra é simples: quanto mais turístico e mais internacional o lugar, mais inglês. Nos dois países, você vai conseguir se comunicar em inglês com tranquilidade em:
- Aeroportos e companhias aéreas
- Hotéis de médio e grande porte, principalmente na recepção
- Agências de turismo e guias de passeio
- Estações de esqui, como Bariloche, Valle Nevado e Portillo
- Vinícolas que recebem turista estrangeiro, em Mendoza e no Vale do Maipo
- Restaurantes em bairros turísticos, como Palermo em Buenos Aires e Lastarria em Santiago
Nesses lugares, o funcionário atende brasileiro, americano, europeu, e o inglês é a língua comum. As frases de hotel e aeroporto que você já treinou para outros destinos funcionam iguais.
"Do you have any tours to the vineyards tomorrow?" Vocês têm algum passeio para as vinícolas amanhã?
"What time does the shuttle to the ski resort leave?" Que horas sai o transporte para a estação de esqui?
"Is the tour guide English-speaking?" O guia do passeio fala inglês?
Dica: pergunta "Do you speak English?" antes de começar. Se a resposta for "a little", fala devagar e com frases curtas. Se for "no", troca para o espanhol básico.
Onde o espanhol manda
Na rua, no táxi comum, na padaria, no mercadinho, no ônibus, no interior: espanhol. Ali o inglês pouco ajuda, e o brasileiro tem uma vantagem enorme, porque português e espanhol são próximos o suficiente para uma comunicação básica.
Olha, não tem problema nenhum nisso. A viagem para a Argentina ou para o Chile é uma ótima chance de exercitar uma habilidade que serve para qualquer língua: se comunicar com o que você tem. Aponta, mostra o número no celular, sorri, mistura. Funciona.
Inglês não é uma chave que abre todas as portas do mundo. É uma chave que abre muitas. Saber quais portas ele abre já é metade da fluência.
O inglês como ponte entre turistas
Tem um uso do inglês que muita gente não pensa antes de viajar: você vai conhecer gente de outros países. Em hostel, em passeio de grupo, em trilha, na fila do teleférico. Ali, o inglês é a língua que todo mundo compartilha, e ele rende conversas que o espanhol não rende.
"Where are you from?" De onde você é?
"How long are you staying in Argentina?" Quanto tempo você vai ficar na Argentina?
"Have you been to the Atacama Desert yet?" Você já foi ao deserto do Atacama?
"We're going to Bariloche next. Any tips?" Nosso próximo destino é Bariloche. Alguma dica?
Tenho alunas que voltaram de Santiago com amizade de alemã, australiano e canadense feita em inglês, num passeio de vinícola. Esse tipo de conversa é o que faz o inglês valer a viagem, mesmo num país de língua espanhola.
Dica: "Any tips?" no fim da frase é o jeito mais natural de pedir recomendação. Funciona com qualquer viajante, em qualquer lugar.
No hotel e no aeroporto
Aqui o inglês vai te servir igual a qualquer outro destino. Vale ter as frases na ponta da língua:
"I have a reservation under the name Oliveira." Tenho uma reserva no nome Oliveira.
"Could you recommend a good restaurant nearby?" Poderia recomendar um bom restaurante aqui perto?
"Is breakfast included?" O café da manhã está incluído?
"Which gate is the flight to Santiago?" Qual é o portão do voo para Santiago?
"Could I get a window seat, please?" Poderia me dar um assento na janela, por favor?
Repara que essas são exatamente as frases que você usaria em Miami ou em Lisboa. É por isso que eu digo que inglês de viagem é uma estrutura só: você aprende uma vez e usa em qualquer aeroporto do mundo, incluindo Ezeiza e o de Santiago.
Quando o espanhol e o inglês se misturam
Uma coisa curiosa que acontece na Argentina e no Chile: o funcionário começa em espanhol, percebe que você é estrangeira e tenta inglês. Aí você, brasileira, entende melhor o espanhol do que o inglês dele. Pode acontecer. Nessa hora, não tem problema em dizer:
"Spanish is fine, I understand a little." Pode falar em espanhol, eu entendo um pouco.
"Sorry, I'm Brazilian. Spanish or English, either one works." Desculpa, sou brasileira. Espanhol ou inglês, qualquer um serve.
Repara que essa flexibilidade é uma vantagem sua. Você tem duas línguas de apoio, e escolher a melhor para cada momento é uma habilidade de viajante experiente.
Dica: baixa o tradutor do celular com espanhol e inglês offline antes de ir. Em passeio no deserto ou na montanha, o sinal some.
Resumindo o que importa
Repara no padrão: o inglês na Argentina e no Chile funciona em tudo que é internacional (aeroporto, hotel, agência, estação de esqui, vinícola) e em toda conversa com outros turistas. Na rua e no comércio local, o espanhol ganha, e o seu português te dá uma base ótima para ele. Não é um ou outro; é saber usar cada um no seu lugar.
Antes de viajar, separa as frases de hotel, aeroporto e passeio deste post e lê em voz alta. Depois, prepara meia dúzia de palavras em espanhol para a rua. Com as duas coisas na bagagem, você não trava em lugar nenhum. Inglês para o mundo, espanhol para a esquina, e você pronta para os dois.



