Você decidiu fugir do óbvio e, em vez de Orlando ou Nova York, escolheu Chicago, ou Boston, ou as duas. Chegou animada, e logo no primeiro dia percebeu que o vento de Chicago é sério, que o metrô tem nome esquisito e que, em Boston, as pessoas falam de um jeito que não parece o inglês dos filmes. Tenho alunas que voltaram dessas cidades apaixonadas, e todas comentaram a mesma coisa: o inglês de lá tem jeito próprio.
A boa notícia é que as frases que você precisa são as mesmas de qualquer cidade americana. O que muda é um punhado de palavras locais, um sotaque em Boston e um vocabulário de frio que o brasileiro não costuma ter. Neste post eu te preparo pra isso, cidade por cidade. Bora lá?
Chicago: o metrô que chama "the L"
Em Chicago, o metrô é "the L" (de "elevated", porque boa parte dele é elevada). As linhas têm nome de cor: Red Line, Blue Line, Brown Line. O cartão de transporte é o Ventra.
"Which line goes downtown?" Qual linha vai pro centro?
"Is this the Blue Line to O'Hare?" Essa é a Blue Line pro aeroporto O'Hare?
"Where can I buy a Ventra card?" Onde posso comprar um cartão Ventra?
"Does this train stop at Millennium Park?" Esse trem para no Millennium Park?
Repara que o centro de Chicago se chama "the Loop", porque as linhas do L fazem um laço ali. Se alguém disser "meet me in the Loop", é o centro.
Dica: "downtown" é a palavra que funciona em qualquer cidade americana pra "centro". Em Chicago você vai ouvir "the Loop" também, mas "downtown" nunca falha.
Chicago: a pizza, o vento e o "Bean"
Chicago tem uma pizza própria, a deep-dish, funda como uma torta. Pedir é simples, mas tem um detalhe: ela demora.
"One deep-dish pizza to go, please." Uma pizza deep-dish pra viagem, por favor.
"How long is the wait for a deep-dish?" Quanto tempo demora a deep-dish?
O ponto turístico mais famoso é a escultura em formato de feijão, no Millennium Park. O nome oficial é Cloud Gate, mas ninguém chama assim: é "the Bean".
"How do I get to the Bean from here?" Como eu chego no "Bean" a partir daqui?
E o vento. Chicago é "the Windy City", e no inverno o frio é de cortar. Você vai ouvir e precisar de vocabulário de clima:
"It's freezing out there. Bundle up!" Está congelante lá fora. Agasalha bem!
"Is there a wind chill warning today?" Tem alerta de sensação térmica hoje?
"Wind chill" é a sensação térmica com o vento. Nos jornais de Chicago, é a informação que importa mais do que a temperatura em si.
Cada cidade tem um vocabulário pequeno que faz você parecer de casa. Aprende esse punhado e a viagem muda de nível.
Boston: o metrô que chama "the T"
Em Boston, o metrô é "the T", e o cartão é o CharlieCard. As linhas também têm cor: Red, Green, Orange, Blue. Uma coisa que confunde é que os trens são "inbound" (em direção ao centro) ou "outbound" (saindo do centro).
"Is this train inbound or outbound?" Esse trem vai pro centro ou está saindo do centro?
"Can I get a CharlieCard, please?" Posso pegar um CharlieCard, por favor?
"Which stop is closest to Harvard?" Qual parada é mais perto de Harvard?
"How much is a day pass?" Quanto custa o passe diário?
Dica: em Boston, "inbound" e "outbound" aparecem nas placas antes do nome da linha. Se você quer ir pro centro, procura "inbound". Uma palavra, e você não pega o trem errado.
Boston: o sotaque que engole o R
Aqui está a parte que mais assusta e mais diverte. O sotaque de Boston não pronuncia o R depois de vogal. "Park the car" vira algo como "pahk the cah". "Harvard" vira "Hahvahd". Você não precisa imitar; precisa reconhecer.
"Could you say that again? I'm still getting used to the accent." Você poderia repetir? Ainda estou me acostumando com o sotaque.
Além do R, tem vocabulário próprio. "Wicked" em Boston não é "malvado": é "muito". "Wicked good" é "muito bom".
"This chowder is wicked good." Essa sopa de mariscos é muito boa.
"The Freedom Trail is wicked long, but worth it." A Freedom Trail é bem longa, mas vale a pena.
Repara que a Freedom Trail é a linha vermelha pintada no chão que liga os pontos históricos da cidade. Você vai ouvir esse nome o tempo todo.
O que as duas cidades têm em comum
As duas são cidades de esporte, de frio e de bairros com nome. Em Chicago, você vai ouvir Wrigley Field (baseball) e "the Bears" (futebol americano). Em Boston, Fenway Park (baseball) e "the Red Sox".
"Are there any tickets left for the game tonight?" Ainda tem ingresso pro jogo de hoje à noite?
"Where's the nearest place to warm up and get a coffee?" Onde é o lugar mais perto pra se aquecer e tomar um café?
E as duas têm uma frase que resolve qualquer momento de dúvida, no metrô, na rua, na loja:
"Excuse me, I'm visiting. Could you point me in the right direction?" Com licença, estou visitando. Você poderia me indicar o caminho?
Tenho alunas que usaram essa frase em Boston e ganharam, além da direção, uma dica de restaurante. Gente de cidade fria é mais acolhedora do que parece.
Dica: "I'm visiting" abre a conversa. A pessoa entende que você não é de lá, fala mais devagar e tende a ajudar mais. Usa sem vergonha.
O padrão por trás de tudo
As frases de transporte são as mesmas nas duas cidades: "Which line goes to...?", "Does this train stop at...?", "How much is a day pass?". O que muda é o nome do sistema (the L, the T), do cartão (Ventra, CharlieCard) e um punhado de palavras locais (the Loop, the Bean, inbound, wicked). Aprende essas e o resto é o inglês de sempre.
Antes de embarcar, lê as frases deste post em voz alta e treina ouvir "pahk the cah" sem rir. Frio, vento e sotaque não seguram ninguém que sabe perguntar o caminho.



