Você vai fazer aquela viagem de três países em duas semanas: Paris, Amsterdã, Roma. Fala um pouco de inglês e nada de francês, holandês ou italiano. E aí a dúvida: será que inglês resolve? Tenho alunas que voltaram da Europa dizendo "todo mundo fala inglês" e outras que voltaram dizendo "ninguém me entendeu". As duas estão certas, porque depende de onde, com quem e de como você fala.
Olha, o inglês é a língua da viagem na Europa. Não é a língua de casa de ninguém ali, mas é a ponte entre todo mundo. E é exatamente por isso que o inglês que funciona na Europa é diferente do inglês que funciona nos Estados Unidos: mais simples, mais devagar, sem gíria. Neste post eu te mostro onde ele funciona, onde é mais difícil, e as frases que resolvem em qualquer país. Bora lá?
Onde o inglês funciona muito bem
Em alguns países, praticamente todo mundo abaixo de 60 anos fala inglês com naturalidade, e a viagem flui sem esforço:
- Holanda, Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia: o inglês é quase uma segunda língua. Do caixa do mercado ao motorista de ônibus.
- Irlanda e Reino Unido: inglês é a língua local, com sotaque próprio.
- Alemanha e Áustria, nas cidades grandes: Berlim, Munique, Viena. No interior, é mais difícil.
- Portugal, nas áreas turísticas: e, claro, você tem o português como plano B.
"Excuse me, do you speak English?" Com licença, você fala inglês?
Repara que essa pergunta abre qualquer conversa na Europa. Mesmo onde todo mundo fala, perguntar antes é educado. A pessoa se sente respeitada, e você já começa bem.
Onde é mais difícil
Em outros lugares, o inglês existe nos hotéis, nos aeroportos e nos pontos turísticos, mas some quando você sai desse circuito:
- França, fora de Paris: e mesmo em Paris, com gente mais velha ou em bairros menos turísticos.
- Espanha e Itália, nas cidades pequenas: o restaurante de bairro, a padaria, o ônibus regional.
- Europa do Leste, com gente mais velha: os jovens falam bem; os mais velhos aprenderam russo ou alemão na escola.
Nesses lugares, o que salva é a combinação: inglês simples, gesto, cinco palavras do idioma local e paciência.
"Sorry, I don't speak French. Is English okay?" Desculpa, não falo francês. Pode ser em inglês?
Dica: aprende "olá", "obrigada", "por favor", "desculpa" e "você fala inglês?" na língua de cada país que vai visitar. Cinco palavras. Isso muda completamente o jeito como as pessoas te recebem.
O inglês que funciona com quem também não é nativo
Aqui está o segredo que ninguém conta. Na Europa, a pessoa do outro lado do balcão também aprendeu inglês como segunda língua. Ela não vai entender phrasal verb, gíria, frase longa ou fala rápida. E você também não precisa de nada disso.
O inglês que funciona na Europa é:
- Frases curtas, com sujeito, verbo e objeto.
- Devagar, sem correr.
- Palavras simples: "big" em vez de "enormous", "help" em vez de "give me a hand".
- Sem "could you possibly", sem "I was wondering if". Um "please" já é educado o suficiente.
"One ticket to the city center, please." Uma passagem pro centro, por favor.
"Is this the right bus to the old town?" Esse é o ônibus certo pro centro histórico?
Repara que a segunda frase poderia ser "Excuse me, I was wondering whether this might be the bus that goes to the old town?". Ninguém precisa disso. A versão curta é mais clara pra todo mundo, inclusive pra você.
Na Europa, o seu inglês não precisa impressionar ninguém. Precisa ser entendido por alguém que também está fazendo esforço.
As situações que mais se repetem
No trem e no metrô. A Europa se anda de trem, e as perguntas são sempre as mesmas:
"Which platform does the train to Paris leave from?" De qual plataforma sai o trem pra Paris?
"Do I need to validate my ticket?" Preciso validar minha passagem?
"Where can I buy a metro pass?" Onde posso comprar um passe de metrô?
Repara em "validate": em vários países (Itália, França, Alemanha), você precisa carimbar a passagem numa máquina antes de embarcar, senão leva multa. Vale perguntar sempre.
No restaurante. As regras mudam de país pra país, então pergunte:
"Could I have the menu in English, please?" Poderia me trazer o cardápio em inglês, por favor?
"Is service included?" O serviço está incluído?
"Can I pay by card, or is it cash only?" Posso pagar com cartão, ou é só dinheiro?
Dica: na maioria dos países da Europa, a gorjeta não é obrigatória e muitas vezes já vem na conta. Arredondar pra cima é o costume. Não precisa dos 20% dos Estados Unidos.
Pedindo informação na rua.
"We're looking for the cathedral. Is it far?" Estamos procurando a catedral. É longe?
"Could you write that down for me?" Você poderia escrever isso pra mim?
"How much is a taxi to the airport?" Quanto custa um táxi até o aeroporto?
Repara em "write that down": nome de rua em holandês ou em húngaro é impossível de entender de ouvido. Pedir pra escrever resolve, e ninguém se ofende.
Os sotaques que você vai ouvir
Você vai ouvir inglês com sotaque francês, italiano, alemão, holandês, e cada um tem uma música. Nas primeiras horas, isso estranha. Depois, o ouvido acostuma, e a verdade é que esses sotaques costumam ser mais fáceis de entender do que o americano rápido, porque a pessoa também fala devagar e escolhe palavras simples.
"Sorry, could you repeat that? I didn't understand." Desculpa, poderia repetir? Não entendi.
Essa frase não é vergonha. É o que todo mundo fala na Europa, o tempo todo, em qualquer língua.
O padrão por trás de tudo
Repara que o inglês pra Europa se resume a três coisas: perguntar se a pessoa fala inglês antes de começar, usar frases curtas e devagar, e ter as cinco palavras locais na ponta da língua. Com isso, você se vira em Estocolmo e em Nápoles, mesmo que em Nápoles precise de mais gesto.
Antes de viajar, escolhe as dez frases deste post que mais combinam com o seu roteiro e lê em voz alta por uma semana. A Europa inteira se comunica com um inglês simples. O seu já serve.



