Você está num mercado de Bangkok, quer perguntar o preço de uma bolsa, e a vendedora responde num inglês rápido e diferente do que você ouve nas séries. Você não entende, ela não entende sua pergunta, e vocês duas ficam apontando pra calculadora. Tenho alunas que voltaram da Ásia dizendo que "o inglês de lá é outro".
Não é outro. É o mesmo inglês, só que usado como língua de ponte entre pessoas que não são nativas, você e a vendedora. E isso muda tudo a seu favor: ninguém espera perfeição, as frases são curtas e o vocabulário é simples. Neste post você vai ver como o inglês funciona na Tailândia, em Bali e no Vietnã, e as frases que resolvem as situações que aparecem todo dia por lá. Bora lá?
Como o inglês funciona por lá
Na Tailândia, em Bali (Indonésia) e no Vietnã, a língua local não é o inglês. O inglês é a língua do turismo: hotéis, agências, restaurantes e mercados de turista usam ele, com níveis muito variados. Em lugar mais afastado, pode ser que quase ninguém fale.
O que isso significa pra você: frases curtas, sem gíria, sem estrutura complicada. Fala devagar, usa gestos, mostra números na tela do celular. E aceita que o inglês da outra pessoa também vai ser simples. Não é hora de mostrar o present perfect, é hora de se comunicar.
"How much is this?" Quanto é isso?
"Do you speak English?" Você fala inglês?
"Can you write it down, please?" Você pode escrever, por favor?
Dica: em mercado, quase todo vendedor tem uma calculadora pra mostrar o preço. Pede "calculator?" e a negociação acontece pelos números, sem depender do idioma.
No mercado: negociar é esperado
Em mercado de rua nesses três países, pechinchar faz parte da cultura. O vendedor fala um preço, você oferece menos, e o meio-termo é o normal. Com um sorriso, sempre:
"That's too expensive. Can you give me a better price?" Está muito caro. Você pode fazer um preço melhor?
"How about 200 baht for two?" Que tal 200 baht por dois?
"Okay, I'll take it." Certo, vou levar.
"No, thank you. Maybe later." Não, obrigada. Talvez mais tarde.
Repara que "maybe later" é a forma educada de sair sem comprar. Funciona em qualquer barraca do Sudeste Asiático.
No tuk-tuk, no táxi e na moto
Na Tailândia é o tuk-tuk, no Vietnã é a moto-táxi, em Bali é o carro ou a scooter alugada. Em todos, combina o preço antes de entrar, ou pede pra usar o taxímetro quando houver:
"How much to the Grand Palace?" Quanto pra ir ao Grande Palácio?
"Can you use the meter, please?" Você pode usar o taxímetro, por favor?
"Please stop here." Para aqui, por favor.
"I'd like to rent a scooter for three days." Gostaria de alugar uma scooter por três dias.
Dica: aplicativo de transporte funciona muito bem nesses países e resolve a negociação. Mas em ilha pequena ou cidade do interior, o tuk-tuk ainda é a opção, e a frase "how much to..." é a sua amiga.
Inglês de viagem não é sobre ter o melhor inglês da sala. É sobre a mensagem chegar do outro lado com um sorriso.
Nos templos
Templos budistas e hindus têm regras de roupa: ombros e joelhos cobertos, sapato fora. Na entrada, muita vez alugam ou emprestam um pano (sarong). As frases são poucas:
"Do I need to cover my shoulders?" Preciso cobrir os ombros?
"Can I take pictures inside?" Posso tirar fotos lá dentro?
"Where should I leave my shoes?" Onde eu devo deixar meus sapatos?
"Is there an entrance fee?" Tem taxa de entrada?
Na comida de rua e nos restaurantes
A comida é um dos melhores motivos pra ir. E a única pergunta que você precisa fazer com muita atenção é sobre a pimenta, porque o "pouco picante" de lá pode ser o "muito" seu:
"Is it spicy?" É picante?
"Not spicy, please." Sem pimenta, por favor.
"A little spicy is okay." Um pouco picante está bom.
"What is this?" O que é isso?
"I'm allergic to peanuts." Sou alérgica a amendoim.
"One pad thai and one coconut water, please." Um pad thai e uma água de coco, por favor.
Repara em "not spicy, please". É a frase mais dita por brasileira na Tailândia, e ela funciona. Amendoim e camarão aparecem em muito prato, então quem tem alergia precisa avisar sempre.
Dica: o inglês simplificado que se ouve por lá inclui a expressão "same same" (é a mesma coisa) e "same same but different" (parecido, mas não igual). Você vai ouvir, vai rir e vai entender.
Na hospedagem e nos passeios
Hotel, hostel e pousada funcionam como em qualquer lugar. Os passeios (ilhas, cachoeiras, arrozais, baía de Ha Long) se contratam na recepção ou em agências de rua:
"I'd like to book the island tour for tomorrow." Gostaria de reservar o passeio das ilhas pra amanhã.
"What time does the boat leave?" Que horas o barco sai?
"Is the transfer from the hotel included?" O transporte a partir do hotel está incluído?
"Could you call a taxi to the airport for six in the morning?" Poderia chamar um táxi pro aeroporto pras seis da manhã?
O padrão por trás de tudo
Repara que o inglês do Sudeste Asiático é o mais simples que você vai usar em qualquer viagem: "how much", "can you", "not spicy", "what time". Sem verbo complicado, sem tempo verbal difícil. O que resolve é a frase curta dita com calma, o número na tela e o sorriso.
Antes de embarcar, treina em voz alta as frases de mercado e de comida, porque são as que mais aparecem. Você não precisa do melhor inglês pra Ásia. Precisa do mais claro, e ele já é seu.



